Uh lálá...
Entrevistada: Alexandrine Brami
O necessário charme francês
Durante o período de povoamento (europeu) na Terra de Vera Cruz, importante mesmo era parler francês. Imutavelmente se passaram alguns séculos, com os 'dotô' que iam estudar a graduação na Europa, sobretudo na França, e voltavam aptos a ler Les Miserables, de Victor Hugo, recorrendo poucas vezes ao dicionário.
Inclusive, nos tempos de outrora, quando seus pais (ou avós) faziam o ensino fundamental e médio era o francês e o latim que tinham grande visibilidade curricular. Com o passar dos anos, a hegemonia econômica estadunidense passou a ditar as regras de um processo conhecido como Globalização, deixando em segundo plano a hegemonia cultural francesa. Isso significa que a partir dos anos 1970, o ensino do francês deixou o currículo das escolas brasileiras e foi substituído pelo inglês. No entanto, brasileiros mais antenados não deixaram de estudar outros idiomas pelo fato deles não mais constarem no currículo escolar. O mundo globalizado pede uma formação mais ampla, ou seja, quanto mais habilidades e idiomas o profissional tiver no currículo, melhor.
Por uma questão mercadológica o inglês é o idioma mais procurado por quem pretende aprender uma segunda língua. Mas com o aumento da competitividade, inchaço no mercado de trabalho, o aprendizado de idiomas como espanhol, francês, alemão e até o mandarim garantem alguns créditos extras na hora de concorrer a uma vaga. Somente nas Alianças Francesas - tradicional franquia de francês - de todo o Brasil contabilizam-se 40 mil alunos, e esse número chega a aproximadamente 500 mil em todo o mundo.
Mas quando se trata de bela sonoridade, de paixão por um idioma, de fazer as meninas dos olhos brilharem, o francês ainda continua em primeiro lugar. De Brigitte Bardot à Audrey Tautou, de Édith Piaf à Coralie Clement, que atire a primeira pedra aquele que nunca se encantou com a elegância francesa.
Existe uma demanda crescente por cursos de francês, não apenas pela possibilidade de ampliar seus horizontes culturais. Pelo contrário. Um aumento das relações bilaterais de cunho sócio-econômico entre Brasil e França vem ocasionando esse crescimento. De acordo com a diretora geral do Instituto de Estudos Franceses e Europeus de São Paulo (IFESP), Alexandrine Celentano, o francês dá sim 'brilho nos olhos', mas é sobretudo um idioma estratégico para incrementar o currículo. “Agregar o francês ao currículo se torna um diferencial para o brasileiro num mercado ultra-competitivo, pois é o idioma requisitado nos circuitos intelectuais, na diplomacia. Além disso, existem muitas oportunidades de trabalho em empresas francesas que abriram filiais no Brasil, tais como, Leroy-Merlin, Fnac, Accor, etc.”, afirma Alexandrine.